A Meta, gigante que controla o Instagram e o Facebook, emitiu um alerta informando que ferramentas comuns de edição de fotos, vídeos e áudios podem acarretar o bloqueio automático de publicações durante o período eleitoral. Segundo a empresa, muitos desses aplicativos inserem 'sinais técnicos' de inteligência artificial nos arquivos, mesmo em edições simples, o que dispara os filtros de restrição das plataformas.

O comunicado oficial, atualizado na última quarta-feira (21), ocorre em meio ao endurecimento das regras impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Meta explica que seus sistemas identificam esses indicadores padronizados de IA de forma automatizada.

Caso o arquivo contenha tais marcas, o conteúdo é tornado indisponível no Brasil para cumprir a legislação vigente, afetando até mesmo postagens que não utilizam IA generativa para criar cenas falsas, mas que apenas passaram por softwares de edição que deixam rastros digitais da tecnologia.

De acordo com o cronograma estabelecido pela Meta, a suspensão desses conteúdos teve início na madrugada de quinta-feira (22) e deve permanecer em vigor até as 23h59 da segunda-feira (26). A empresa garantiu que as postagens ocultadas voltarão a ficar visíveis para o público brasileiro após o encerramento deste prazo.

A medida é uma resposta direta à Resolução nº 23.755/2026. O texto proíbe o impulsionamento e a publicação de conteúdos sintéticos alterados por IA que envolvam candidatos ou figuras públicas no intervalo de 72 horas antes da votação até 24 horas após o pleito. Embora a norma não proíba o uso de editores ou a atividade jornalística, a Meta optou por um bloqueio preventivo baseado na identificação automatizada de metadados, sem detalhar se existe uma camada de revisão humana para evitar erros de classificação.

Essa postura de moderação algorítmica tem gerado atritos com órgãos fiscalizadores. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou urgência na adoção de medidas que tragam maior transparência ao processo de derrubada de posts. O órgão cobra que as plataformas forneçam justificativas claras para as restrições e garantam mecanismos de revisão humana para restaurar conteúdos bloqueados indevidamente.

Dados fornecidos pela própria Meta ao MPF revelam a magnitude da intervenção digital: somente entre os dias 1º e 5 de outubro, no primeiro turno, 206.910 conteúdos foram bloqueados automaticamente por critérios ligados ao silêncio eleitoral e identificação de IA. Para os procuradores, as explicações da empresa são insuficientes, e um novo prazo de 48 horas foi estipulado para que a plataforma responda às recomendações de proteção à liberdade de expressão e transparência.