Em um movimento significativo para a consolidação das forças de centro-direita neste segundo turno, o ex-presidente Michel Temer (MDB) oficializou, nesta segunda-feira (5), seu apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto. A decisão reforça a frente de oposição ao PT e sinaliza uma convergência em torno da renovação política demandada pelas urnas no primeiro turno.

Por meio de suas redes sociais, o emedebista destacou que o resultado do pleito de 4 de outubro foi um recado direto da sociedade brasileira. Para Temer, o eleitorado manifestou um desejo claro por mudança e respeito institucional. Flávio Bolsonaro liderou a votação inicial com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), superando Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,16% (53,8 milhões).

As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito. Com os demais, deu-se a renovação. Renovação que apareceu fortemente na composição do Congresso Nacional e na força da candidatura à Presidência da República que chegou ao 2º turno em 1º lugar. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio.

A declaração de Temer ocorre em um contexto de fortes atritos com o atual presidente. O ex-presidente tem sido alvo frequente de ataques da militância petista e do próprio Lula, que insiste na narrativa de 'golpe' ao se referir ao processo constitucional de impeachment de Dilma Rousseff. Ao ser questionado sobre sua escolha, Temer foi enfático ao justificar que a postura agressiva do PT tornou impossível qualquer outro caminho. Ele indagou qual seria a posição de alguém que é permanentemente chamado de 'golpista' pelo grupo adversário.

Enquanto Flávio Bolsonaro consolida alianças estratégicas, outros nomes da política nacional se posicionam de forma cautelosa. O governador Romeu Zema (Novo) já indicou que não apoiará o projeto petista, embora não tenha citado o senador nominalmente até o momento. Já o PSD, de Ronaldo Caiado, optou por liberar seus filiados, mantendo neutralidade institucional. No campo da terceira via, Renan Santos (Missão) previu a vitória do candidato do PL, deixando o voto livre para seus seguidores, enquanto Augusto Cury (Avante) optou pelo silêncio.