Em meio a um embate direto no Supremo Tribunal Federal (STF), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais para manifestar apoio ao ministro André Mendonça. A declaração ocorre no ápice de uma crise interna na Corte, motivada por divergências entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes em torno das investigações do chamado caso Master.
"Quando Deus libera uma palavra sobre um filho, podem vir as tempestades, as pedradas, os desafetos, e até um exército ímpio pode se levantar. Mas, se permanecermos perseverantes e obedientes, ela se cumprirá.", diz Michelle em seu post no Instagram.
Michelle, que concorre ao Senado pelo Distrito Federal, resgatou o histórico da indicação de Mendonça ao tribunal e revelou aspectos religiosos do período que antecedeu a sabatina no Congresso. Segundo a ex-primeira-dama, a escolha do magistrado teria sido fruto de intensa busca espiritual.
"Somente Deus, eu e os nossos intercessores sabemos o quanto buscamos a presença dEle para que você fosse abençoado em sua indicação ao STF", declarou Michelle em sua conta no Instagram.
A publicação foi além de uma mensagem política, contendo o relato de uma suposta revelação espiritual que Michelle teria tido antes da confirmação do nome de Mendonça para a vaga. Ela descreveu uma visão em que o ministro entrava no tribunal sob uma "nuvem branca", referindo-se a ele como um "escolhido" e "ungido do Senhor".
O pano de fundo desse gesto público é a crescente tensão no STF provocada pelo caso Master, que tem o banqueiro Daniel Vorcaro como figura central. O conflito escalou após Mendonça ordenar que a Polícia Federal identificasse contatos em mensagens no celular de Vorcaro, o que acabou revelando diálogos com o próprio Alexandre de Moraes, além de citações ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor da PF, Andrei Rodrigues.
A reação de Moraes foi imediata: ele enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento apontando indícios de abuso de autoridade e improbidade administrativa na conduta de Mendonça. Fachin, por sua vez, solicitou manifestações de Gonet e do próprio Mendonça. O procurador-geral já sinalizou defesa da nulidade do relatório policial que originou o desgaste.
Nos bastidores, os magistrados já calculam votos para um eventual julgamento em plenário. O grupo alinhado a Moraes contaria com Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Do lado de Mendonça, Luiz Fux é visto como apoio certo, enquanto nomes como Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Fachin são apontados como decisivos. O posicionamento de Dias Toffoli permanece como uma incógnita na correlação de forças interna da Corte.

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