O cenário econômico brasileiro começa a apresentar os sintomas de um esgotamento provocado pelo modelo de expansão de gastos e estímulo ao consumo adotado pelo governo Lula. O que parecia uma estratégia para manter a economia aquecida resultou em um efeito colateral severo: recordes de inadimplência e um volume histórico de empresas buscando proteção judicial para evitar a falência. Com os juros em patamares elevados para conter a inflação gerada pelo desequilíbrio fiscal, o custo do crédito tornou-se um fardo insustentável para famílias e empreendedores.
Desde o início de 2023, estima-se que o governo tenha injetado cerca de R$ 300 bilhões na economia por meio de benefícios e isenções, como o programa Pé-de-Meia, o Gás do Povo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Contudo, essa liquidez não veio acompanhada de reformas estruturais ou ganhos de produtividade. Pelo contrário, a dívida pública saltou de 72% para 82% do PIB, forçando o Banco Central a manter a Selic em níveis restritivos. Para especialistas, a insistência nesse modelo ignora a gravidade do endividamento privado.
"Ao insistir nessa fórmula, o presidente age para complicar o cenário nos próximos meses. Ele não reconhece a gravidade da situação", afirma Claudio Damasceno, sócio da consultoria RGF.
Os dados da Serasa Experian confirmam a deterioração: 9,2 milhões de empresas estão com contas atrasadas, somando um passivo de R$ 239 bilhões. O número de pedidos de recuperação judicial também atingiu o ápice histórico, afetando desde gigantes como a Braskem e o Grupo Gennius (Habib’s) até varejistas tradicionais como Casas Bahia e Marabraz. Casos recentes, como a reestruturação de dívidas da Chilli Beans e a moratória obtida pela Fertilizantes Heringer, ilustram a dificuldade de obter novos financiamentos em um mercado onde os bancos estão cada vez mais seletivos e focados em garantias reais.
No lado das famílias, a situação não é diferente. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 82% dos lares brasileiros estão endividados. Mesmo com a pressão política de Lula e do Ministério da Fazenda sobre o Banco Central, a autoridade monetária mantém o rigor. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, embora indicado pelo petista, tem seguido a cartilha técnica de "baixar o som da festa" para evitar um descontrole inflacionário ainda maior, o que já se reflete na desaceleração do consumo das famílias e do PIB.
O governo tem tentado mitigar o problema com programas paliativos, como o Desenrola e o Move Brasil, este último voltado para o financiamento de veículos para motoristas de aplicativo.
Entretanto, a baixa adesão revela o nó econômico atual: grande parte do público-alvo já está com o nome negativado ou atingiu seu limite de crédito, tornando as medidas ineficazes. Enquanto o Palácio do Planalto trata a crise fiscal com ceticismo, o mercado de crédito trava, deixando uma "ressaca" profunda em empresas e cidadãos que não conseguem mais sustentar o ritmo de gastos impulsionado pelo Estado.

