Na reta final da campanha para o primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma estratégia de distanciamento dos símbolos tradicionais da esquerda para tentar fisgar o eleitorado de centro e os jovens indecisos. Em programa eleitoral veiculado neste domingo (27), o petista afirmou que o eleitor não precisa 'fazer o L' ou 'vestir vermelho' para apoiar seu projeto, um movimento claro para reduzir a rejeição ao petismo em um momento decisivo da disputa.

A peça publicitária, com pouco mais de cinco minutos, focou no diálogo com jovens que questionaram o mandatário sobre questões econômicas e sociais. A narrativa busca suavizar a imagem do partido e focar em promessas de bem-estar, tentando desvincular a decisão do voto da ideologia partidária. No encerramento, Lula foi enfático ao declarar que o que importa é o futuro das famílias e que o apoio não depende de gestos ou cores políticas.

Um dos pilares da propaganda foi o custo de vida, tema sensível para a classe média e trabalhadores. O presidente defendeu o fim da jornada 6x1, propondo dois dias de descanso sem alteração salarial — medida que, vale ressaltar, enfrenta forte resistência no setor produtivo e depende de uma complexa negociação no Congresso Nacional. Outras promessas incluíram a ampliação do programa Pé-de-Meia para todo o ensino médio e a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000, compensando a renúncia fiscal com a polêmica taxação de grandes fortunas.

O programa também subiu o tom contra o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Utilizando recortes de imprensa, a campanha petista explorou ligações do senador com figuras condenadas pela justiça, como Robson Calixto, o 'Peixe', citado no caso Marielle Franco. Sob o slogan 'Falar é Flávio, fazer é Lula', a estratégia busca desidratar o oponente junto aos eleitores que priorizam a pauta da segurança pública e da ética.

O foco no público jovem não é por acaso. Dados do Datafolha indicam que a definição do voto é menor entre os eleitores de 16 a 24 anos. Além de tentar evitar a migração para Flávio Bolsonaro, Lula mira o espólio de Augusto Cury, que detém 14% das intenções de voto neste segmento, segundo o PoderData. A campanha entende que o eleitorado mais jovem, menos afeito a rótulos partidários, é a chave para tentar consolidar uma vantagem antes da ida às urnas.