O eleitorado nordestino, historicamente associado ao PT, está no centro de uma mudança tectônica que pode selar o destino das eleições presidenciais. Segundo Paula Orrico, diretora técnica da Futura Inteligência, o avanço da direita na região é o principal motor para uma provável vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

Os números do primeiro turno já desenharam esse novo cenário. Embora o petista tenha vencido nos nove estados da região, Flávio registrou um salto significativo de desempenho em comparação ao pai, Jair Bolsonaro, no pleito de 2022. Naquela ocasião, o ex-presidente obteve 8,8 milhões de votos entre os nordestinos; agora, Flávio conquistou 10,4 milhões — um crescimento expressivo de 18%, ou 1,6 milhão de novos eleitores na região.

Essa migração de votos foi crucial para que o senador encerrasse a primeira etapa da disputa na liderança. Flávio somou 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões no total) contra 45,16% de Lula (53,9 milhões). A análise de Orrico sugere que, se essa fatia adicional de nordestinos tivesse optado pela manutenção do atual governo, o resultado seria favorável ao petista, mas a realidade das urnas mostrou o contrário.

A pesquisadora aponta que a erosão da base lulista é contínua e atinge inclusive o público feminino. Para ela, existe um fortalecimento visível de pautas conservadoras na sociedade brasileira. Dados do Instituto Mises Brasil corroboram essa leitura, evidenciando que a hegemonia da esquerda no Nordeste está perdendo ímpeto de forma consistente.

Lula segue à frente entre as mulheres e os nordestinos, mas o público fiel a ele vem diminuindo, inclusive entre essas parcelas do eleitorado. É perceptível o aumento da popularidade de pautas mais conservadoras.

O acerto da Futura Inteligência no primeiro turno — quando foi um dos raros institutos a prever a liderança de Flávio, contrastando com números de Datafolha e Quaest — dá peso às projeções atuais. Na última sondagem para o segundo turno, o candidato do PL aparece com 51,1% dos votos válidos, enquanto Lula registra 48,9%.

Para Paula Orrico, a tendência de vitória da direita é reforçada por outros fatores externos. A diretora cita a percepção negativa do eleitorado em relação à simbiose entre o atual governo e o Supremo Tribunal Federal (STF), órgão que hoje enfrenta desaprovação superior a 50%. Com a combinação de crescimento regional e desgaste institucional da gestão petista, a análise técnica aponta para uma consolidação da "onda de direita" neste domingo.