O ministro Nunes Marques, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rebateu categoricamente as recentes suspeitas que tentam ligar sua atuação profissional a interesses do Banco Master e de seu proprietário, Daniel Vorcaro. Por meio de nota oficial, o ministro classificou como irresponsáveis os esforços para associar suas decisões a serviços advocatícios prestados por seu filho ou por outras figuras mencionadas em investigações.
O centro da polêmica reside em mensagens obtidas no celular de Vorcaro. Nas conversas, surgem referências a um grupo apelidado de 'turma do KN', o que investigadores suspeitam ser uma alusão às iniciais de Kassio Nunes. Os diálogos mencionam um contrato expressivo, de R$ 427 milhões, envolvendo o escritório de advocacia de Camila Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do TRF-1. Além dos valores, as mensagens indicam pedidos de mimos para terceiros, incluindo hospedagens de luxo no hotel Fasano e ingressos para eventos como o GP de Fórmula 1 e o Carnaval carioca.
No campo profissional, a defesa do ministro esclarece que ele jamais proferiu decisões que beneficiassem diretamente o Banco Master. Sobre um episódio específico em que Camila Ramos teria comemorado um voto seu, a assessoria de Nunes Marques explicou que se tratava de uma tese jurídica ampla, aplicável a diversas empresas, e não a um caso específico da instituição financeira. O ministro reiterou que seu posicionamento sobre o tema é coerente com o que já defendia desde sua passagem pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Outro ponto de desgaste para a Corte envolve o filho do magistrado, o advogado Kevin Marques. Mensagens sugerem que ele teria sido contratado por Vorcaro com honorários mensais de R$ 500 mil. Recentemente, Nunes Marques optou por se declarar impedido de participar do julgamento que analisava os vínculos de outro colega, o ministro Alexandre de Moraes, com a mesma instituição bancária. Na ocasião, o presidente do TSE justificou a ausência para evitar qualquer comprometimento de sua imparcialidade frente ao processo eleitoral.
A crise reputacional no STF ganha contornos mais graves à medida que os valores dos contratos sob investigação vêm a público. Para efeito de comparação, as minutas ligadas ao escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, somavam R$ 208 milhões, valor que já havia gerado forte instabilidade interna no tribunal. Nunes Marques assegura que nunca autorizou o uso de seu nome por terceiros e que não mantém comunicação direta com o banqueiro Vorcaro.
