O mapa político do Brasil caminha para uma consolidação da hegemonia conservadora nos estados a partir de 2027. De acordo com um levantamento realizado pelo Poder360, o campo da direita deve expandir seu domínio, saltando de 15 para 18 governadores sob seu comando. A análise cruza o perfil ideológico dos mandatários eleitos em 2022 com os resultados do primeiro turno de 2026 e as tendências de pesquisa para as unidades federativas que ainda disputam o segundo turno.

Se os números se confirmarem, o avanço representará uma mudança significativa na correlação de forças regionais, com a esquerda sofrendo um recuo acentuado, caindo de 11 para apenas 6 governos estaduais. O movimento reforça o sentimento demonstrado pelo eleitorado nas urnas, que já havia entregue ao país um Congresso Nacional de perfil mais conservador e defensor de pautas ligadas à liberdade econômica e aos valores tradicionais.

A guinada à direita é impulsionada por vitórias em estados estratégicos que hoje estão sob influência da esquerda ou do centro-esquerda. Em Alagoas, o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), deve encerrar o ciclo do MDB ligado aos Calheiros ao substituir Paulo Dantas. No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) lidera as intenções de voto, ameaçando a continuidade do projeto do socialista Renato Casagrande, representado por Ricardo Ferraço. Já no Pará, o domínio da família Barbalho enfrenta o desgaste com a liderança de Dr. Daniel (Podemos) sobre o grupo de Helder Barbalho.

Por outro lado, a única exceção notável de crescimento da esquerda ocorre no Amazonas, onde o senador Omar Aziz (PSD) desponta como favorito contra a candidata do PL, Professora Maria do Carmo. No restante do país, a tendência de fortalecimento conservador cria um ambiente político muito mais receptivo para uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro na Presidência da República, facilitando articulações federais. Caso o atual presidente Lula conquiste uma reeleição, terá de lidar com um país cujos governadores estarão, em sua grande maioria, em oposição ideológica ao Palácio do Planalto.

A metodologia do estudo priorizou o perfil individual de cada candidato e governador em vez da orientação puramente partidária, refletindo de forma mais fiel a postura pública e a condução política de cada líder. Nos seis estados com segundo turno marcado para o dia 25 de outubro, a projeção considera quem está numericamente à frente nos levantamentos de intenção de voto mais recentes.