O governo do Peru, sob o comando da presidente Keiko Fujimori, oficializou a imposição de estado de emergência em cinco unidades prisionais estratégicas do país. A medida, detalhada em comunicado oficial no último sábado, integra um plano de choque contra a insegurança pública e visa desmantelar o poder de comando que facções criminosas exercem de dentro das celas.
Pelo período inicial de 60 dias, forças policiais e efetivos das Forças Armadas estão autorizados a realizar operações contínuas não apenas no interior, mas em um raio de até 200 metros ao redor dos presídios selecionados. O decreto suspende direitos constitucionais de livre circulação e reunião para qualquer pessoa que transite nessas áreas perimetrais, visando facilitar ações de inteligência e o bloqueio da entrada de armas e ilícitos.
O ministro da Justiça, Ernesto Álvarez, ressaltou que a prioridade é estabelecer um cerco rigoroso. Entre as ações práticas, as autoridades planejam a apreensão sistemática de chips de celular e aparelhos telefônicos, além da remoção física de antenas de telecomunicações instaladas nas proximidades das prisões. O controle será estendido inclusive ao espaço aéreo sobre as unidades.
As prisões incluídas no decreto são Challapalca, Cochamarca, Trujillo Varones, Miguel Castro Castro e Ancón I. Nestas duas últimas, localizadas na capital Lima, estima-se que metade da população carcerária seja composta por lideranças de organizações criminosas. Segundo o governo, estes locais funcionam hoje como escritórios do crime, de onde partem ordens para extorsões, assassinatos e tráfico de drogas.
Apesar da presença militar no entorno, o Executivo negou uma militarização da gestão carcerária, assegurando que o Instituto Nacional Penitenciário (INPE) manterá a custódia interna e que as normas internacionais de direitos humanos serão respeitadas. A Defensoria do Povo anunciou que fiscalizará o cumprimento dessas garantias.
O cenário que motivou a decisão é crítico: o sistema penitenciário peruano opera com 156% de superlotação e falta de quase metade do pessoal necessário. Enquanto isso, a violência nas ruas disparou. O número de homicídios anuais no Peru saltou de mil em 2018 para 2,6 mil em 2025. As extorsões tiveram uma alta ainda mais dramática, passando de 3,2 mil para 26,5 mil registros no mesmo período.
Keiko Fujimori, que assumiu a presidência em julho com a promessa de "mão dura", enfrenta o desafio de estancar uma crise que não é apenas de segurança, mas econômica. Estimativas do Ministério da Economia indicam que a criminalidade retira cerca de US$ 5 bilhões da economia peruana todos os anos, o que representa 1,7% do PIB do país.
