O mercado internacional de energia registrou uma forte valorização nesta segunda-feira (12), impulsionado pelo recrudescimento das tensões no Oriente Médio e na Europa Oriental. O barril de petróleo Brent, referência global negociada na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres para entrega em dezembro, encerrou o dia com alta de 1,84%, cotado a US$ 106,65. No mercado americano (Nymex), o WTI para novembro subiu 2,06%, atingindo US$ 93,74.
A instabilidade na Arábia Saudita foi um dos principais gatilhos para a alta. O reino saudita instaurou uma investigação para apurar falhas em seu sistema de defesa aérea após uma ofensiva coordenada por rebeldes Houthis do Iêmen. O ataque, que utilizou mísseis e drones, atingiu o aeroporto de Riad, resultando na morte de ao menos 13 pessoas e deixando mais de 300 feridos. O CEO da estatal Saudi Aramco, Amin Nasser, manifestou preocupação, afirmando que o mercado seguirá pressionado enquanto a segurança no Estreito de Ormuz não for plenamente restabelecida.
No cenário europeu, a tentativa de mediação do presidente americano Donald Trump enfrenta desafios práticos. Embora o republicano tenha anunciado um acordo de 'cessar-fogo energético' entre Rússia e Ucrânia no domingo, autoridades ucranianas relataram novos bombardeios russos contra infraestruturas de energia nesta segunda. O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, sinalizou que o interesse de Moscou reside em um tratado de paz definitivo, minimizando a viabilidade de tréguas temporárias.
Trump também gerou repercussões ao defender um acordo de fornecimento de diesel entre os Estados Unidos e o governo de Vladimir Putin. Diante de críticas de congressistas de ambos os partidos, o presidente justificou a medida apontando a dependência energética europeia; segundo ele, a União Europeia já repassou cerca de US$ 250 bilhões à Rússia em compras de energia.
Enquanto a Geopolítica pressiona os preços para cima, o setor produtivo nas Américas tenta normalizar as operações. Grandes companhias petrolíferas iniciaram o retorno de equipes e a retomada da extração no Golfo do México, após a passagem do furacão Isaias, o que deve mitigar gargalos de oferta no curto prazo.
