A tentativa do governo federal de intervir no mercado de apostas por meio de medidas proibicionistas gerou um efeito colateral imediato: a explosão do mercado clandestino. Levantamento realizado pela plataforma Bet Legal aponta que, após a publicação da Medida Provisória que baniu as 'bets' e o chamado 'Jogo do Tigrinho', 415 novos sites irregulares surgiram no Brasil em apenas dois dias.

Os números revelam a ineficácia do controle estatal absoluto sobre atividades digitais. Até a tarde de sexta-feira (25.set.2026), momento em que a proibição foi oficializada, o monitoramento registrava 295 endereços não autorizados. No domingo (27.set), o total saltou para 710, representando um aumento vertiginoso de 141%. O pico de criação de novas páginas ocorreu justamente no sábado, um dia após a canetada presidencial.

Representantes do setor criticam a postura do Executivo, argumentando que a proibição pune quem deseja atuar dentro da lei enquanto fortalece a criminalidade. Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), destacou que o avanço do mercado informal era um desfecho previsível. Para ele, a medida prejudica as empresas que buscavam a formalização, que geravam empregos, recolhiam impostos e se submetiam a protocolos de proteção a vulneráveis.

Sem autorização, sem as mesmas obrigações regulatórias e operando à margem da fiscalização brasileira, o mercado clandestino continua encontrando espaço.

A análise técnica da Bet Legal, realizada em parceria com a Iron Security, utiliza inteligência artificial para cruzar dados de registros de domínios e notificações da Anatel. O Ministério da Fazenda, por sua vez, tenta conter a avalanche informando que já bloqueou mais de 78 mil domínios não autorizados através da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), alegando que atua também no corte do fluxo financeiro das operadoras ilegais.

Entretanto, para especialistas do mercado, a realidade mostra que o banimento total empurra o consumidor para ambientes sem qualquer segurança jurídica ou transparência. Enquanto as empresas que seguiam as regras foram forçadas a encerrar operações, os operadores clandestinos, que ignoram tributos e leis de proteção ao consumidor, multiplicam suas portas de entrada na internet brasileira, operando fora do alcance do braço estatal.