Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno das eleições municipais, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ofensiva jurídica que atinge diretamente o clã Bolsonaro. A legenda protocolou um pedido de busca e apreensão direcionado ao comitê de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também à sede nacional do Partido Liberal (PL).
A estratégia jurídica adotada pela sigla governista chama a atenção por não ter sido encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foro tradicional para disputas desta natureza durante o período de pleito. Em vez disso, o pedido foi protocolado na Suprema Corte e endereçado especificamente ao ministro Flávio Dino. A ação baseia-se em questões relacionadas ao setor de mineração, mas busca atingir o núcleo político de oposição.
Interlocutores da oposição interpretam a movimentação como uma tentativa de judicializar o processo eleitoral antes mesmo da abertura das urnas. Para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, a iniciativa do PT sinaliza uma insegurança quanto ao desempenho dos candidatos da esquerda nas capitais e grandes municípios, buscando o que chamam de 'vitória no tapetão' através do Judiciário.
O pedido de busca e apreensão ocorre em um momento de alta polarização, onde cada gesto jurídico é lido como uma peça de xadrez político. A escolha de Flávio Dino como relator da matéria também é alvo de críticas por parte de parlamentares da direita, que recordam a trajetória política do ministro antes de sua chegada ao Supremo. Até o momento, o gabinete do ministro e os alvos das petições não se manifestaram oficialmente sobre os desdobramentos do caso.
