Uma nova rodada de dados da pesquisa Quaest, encomendada pela TV Globo e divulgada nesta quarta-feira (22), apresenta um panorama detalhado da sucessão presidencial de 2026. O levantamento estratificou as intenções de voto para o primeiro turno, revelando como o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os nomes da direita, como o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Pablo Marçal, se comportam em diferentes segmentos da sociedade brasileira.
No cenário em que Flávio Bolsonaro representa o espólio político do pai, o presidente Lula mantém liderança consolidada entre o eleitorado católico, somando 52% das intenções de voto contra 19% do senador. Entretanto, o jogo se inverte no segmento evangélico, onde Flávio lidera com 38%, enquanto Lula registra 29%. Pablo Marçal, por sua vez, mantém uma base fiel de 15% entre os evangélicos, indicando uma fragmentação dos votos conservadores religiosos.
A divisão regional também expõe o abismo geográfico na política nacional. No Nordeste, reduto histórico do PT, Lula atinge 64% das intenções de voto, deixando Flávio Bolsonaro com 12% e Marçal com 6%. Já na região Sul, o cenário é de equilíbrio técnico: Lula e Flávio aparecem empatados com 31% e 30%, respectivamente, enquanto Marçal surge com 13%, demonstrando força competitiva da oposição nos estados sulistas.
O fator renda continua sendo um dos principais divisores de águas. Entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, Lula detém 57% da preferência, ante 15% de Flávio Bolsonaro. À medida que a renda sobe, a vantagem do atual mandatário diminui. Na faixa acima de cinco salários mínimos, observa-se o cenário mais acirrado do levantamento, com Lula e Flávio empatados numericamente em 30% das intenções de voto.
A pesquisa também testou a viabilidade de Pablo Marçal como uma 'terceira via' dentro do campo da direita. Embora ainda apareça atrás de Flávio Bolsonaro na maioria dos cenários, Marçal demonstra resiliência entre o eleitorado mais jovem e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde seus índices de intenção de voto superam os 12%, sugerindo que o debate sobre a liderança da oposição para 2026 segue aberto.
A Quaest ouviu 2.000 eleitores presencialmente em todo o país entre os dias 15 e 19 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança do estudo é de 95%.

