As forças militares dos Estados Unidos realizaram uma contraofensiva contundente nesta terça-feira, atingindo diversos petroleiros iranianos vinculados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A operação foi uma resposta direta a uma tentativa frustrada de ataque com mísseis contra um navio de guerra americano, confirmando a postura de tolerância zero adotada pelo governo de Donald Trump diante de agressões de Teerã.

Os ataques americanos concentraram-se em alvos estratégicos próximos à ilha de Kharg — o principal centro de escoamento de petróleo do Irã — e à cidade portuária de Jask. Embora o ataque inicial contra a embarcação dos EUA não tenha causado danos, a retaliação imediata demonstra a prontidão militar americana para proteger seus ativos e a liberdade de navegação na região, elevando a pressão sobre o regime iraniano.

Dentro do governo americano, a estratégia combina o poder bélico com o estrangulamento financeiro. O presidente Trump e a cúpula da Defesa sustentam que o poderio militar do Irã foi severamente degradado. Complementando essa visão, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defende que a pressão econômica máxima é a ferramenta mais eficaz para desidratar a capacidade ofensiva do Irã e evitar um conflito total, embora a dinâmica de combate direto persista.

O conflito, que teve início em 28 de fevereiro com o objetivo de frear as ambições nucleares de Teerã, agora tem como ponto central o controle do Estreito de Ormuz. Enquanto a Marinha dos EUA mantém o bloqueio ao escoamento do óleo iraniano, o Irã reage com mísseis contra navios internacionais, ameaçando uma rota por onde circula 20% do petróleo e gás mundial.

O mercado financeiro reagiu imediatamente à firmeza americana. O barril de petróleo Brent aproximou-se da marca de US$ 98 após os relatos de explosões em Kharg. A ilha é um ponto crítico para a sobrevivência econômica de Teerã, sendo responsável por cerca de 90% das exportações de óleo bruto do país. A possibilidade de os EUA tomarem o controle total desse terminal exportador já foi mencionada pelo presidente Trump em ocasiões anteriores.

Em sintonia com a ofensiva americana, o Reino Unido anunciou medidas legislativas para endurecer as sanções contra o programa nuclear e as atividades hostis do Irã no mar. Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos EUA ampliou a lista de sanções, atingindo desta vez dezenas de empresas ligadas ao setor de aviação iraniano, apertando ainda mais o cerco contra a logística do regime.

Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária emitiu alertas para que tripulações em portos do Kuwait e do Bahrein abandonem seus navios, sinalizando novas ameaças. Teerã também alegou ter capturado um drone submarino americano de alta tecnologia, informação que o Pentágono minimizou, classificando o equipamento como uma unidade com falhas de funcionamento. Em uma tentativa de obter recursos, o Irã negocia com Omã a imposição de taxas de passagem no Estreito de Ormuz, medida que os EUA e seus aliados rejeitam categoricamente, defendendo a liberdade histórica de tráfego na via internacional.