Em um movimento que reforça o realinhamento de forças no cenário global, a Rússia declarou abertamente seu apoio à entrada do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU neste sábado (26). A proposta de Moscou visa uma reforma estrutural no órgão de cúpula da entidade, priorizando nações do chamado Sul Global e barrando pretensões de potências ocidentais.
De acordo com Lavrov, a estratégia russa para o conselho contempla a ampliação da representatividade de regiões como a Ásia, a África e a América Latina. Além do Brasil, a Índia foi nominalmente citada como uma candidata essencial para assumir um assento permanente. Para o Kremlin, essa mudança é necessária para equilibrar a governança global, que hoje é vista por críticos conservadores e soberanistas como excessivamente inclinada aos interesses de blocos alinhados a Washington.
Por outro lado, o governo de Vladimir Putin impôs uma linha vermelha contra a expansão da influência ocidental no conselho. Lavrov foi categórico ao rejeitar a inclusão de países como Alemanha e Japão no grupo de membros permanentes. O ministro justificou o veto alegando que ambas as nações possuem um histórico e uma trajetória recente de militarismo e revanchismo, o que, na visão russa, os desqualificaria para posições de decisão máxima na paz e segurança internacional.
O chanceler aproveitou o palco das Nações Unidas para desferir duras críticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo a autoridade russa, a expansão contínua da aliança militar liderada pelos Estados Unidos viola o princípio fundamental da segurança indivisível. Lavrov argumentou que o Ocidente tenta garantir a própria proteção promovendo a insegurança de outras nações, uma postura que Moscou aponta como o motor das tensões geopolíticas atuais.
A posição russa coloca o Brasil em uma posição de destaque no xadrez diplomático, ao mesmo tempo em que explicita a fratura entre o bloco euro-atlântico e as potências que buscam uma ordem mundial multipolar. A reforma do Conselho de Segurança é um pleito antigo da diplomacia brasileira, mas enfrenta resistência histórica das atuais potências nucleares que detêm o poder de veto.
