A severa estiagem que atinge a região amazônica deve provocar um impacto direto no bolso do consumidor e na competitividade da Zona Franca de Manaus. Um levantamento técnico detalhado, realizado pela consultoria A&M Infra a pedido da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), aponta que o custo do transporte de mercadorias via contêineres para a capital amazonense pode saltar até 147% nos cenários de seca mais crítica.
O fenômeno climático impacta a navegabilidade dos rios, reduzindo a profundidade disponível para o tráfego de grandes embarcações. Com menos água, os navios são obrigados a reduzir a carga transportada para evitar encalhes, o que gera uma ociosidade forçada e a necessidade de operações logísticas mais complexas e fragmentadas, elevando drasticamente o valor do frete.
Segundo informações da Abac, embora o acesso a Manaus ainda não apresente restrições severas de calado no momento imediato, a perspectiva é de que o cenário mude rapidamente. A expectativa é que as primeiras limitações técnicas para a navegação comecem a ser implementadas já na próxima semana, à medida que o nível dos rios continua a baixar.
Este aumento nos custos logísticos representa um desafio adicional para a economia da região, que depende do modal hidroviário para o abastecimento de insumos e o escoamento de produtos industrializados. A infraestrutura logística deficitária da região norte, historicamente dependente do regime das águas, volta a evidenciar a vulnerabilidade do setor produtivo diante de ciclos climáticos severos.
