O Senado Federal articula a abertura de um processo de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ganha força após a divulgação de relatórios da Polícia Federal, liberados pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontam suposta falta de imparcialidade e uso do cargo para perseguições políticas por parte de Mendonça.
O ponto central da acusação é o suposto direcionamento de investigações contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o próprio Alexandre de Moraes. Segundo os documentos, Mendonça teria indicado alvos e medidas cautelares à PF com base em motivações pessoais, o que configuraria desvio de finalidade. Moraes, em sua decisão, chegou a citar expressamente a Lei 1.079, que regula os crimes de responsabilidade, sugerindo que as condutas de Mendonça poderiam ser enquadradas como improbidade administrativa e abuso de autoridade.
Interlocutores de Alcolumbre confirmam que a possibilidade já foi discutida reservadamente. A avaliação no entorno do presidente da Casa é de que, diante do acirramento da crise institucional e de uma aparente disputa interna no STF, o impeachment surgiria como um "contrafogo" necessário. O ressentimento entre Alcolumbre e Mendonça remonta a 2021, quando o senador segurou por meses a sabatina de indicação do magistrado à Corte.
A estratégia política, no entanto, é cautelosa. Aliados de Alcolumbre defendem que o pedido de afastamento seja protocolado por um ente externo, como um jurista ou entidade de classe, para evitar que o presidente do Senado figure como autor direto da retaliação. A ideia é manter o pedido como uma "arma de dissuasão".
Existe ainda uma preocupação tática: colocar o processo de Mendonça em votação poderia abrir precedentes e aumentar a pressão para que o Senado também analise os diversos pedidos de impeachment acumulados contra Alexandre de Moraes, algo que Alcolumbre tem evitado para não aprofundar a instabilidade entre os Poderes.
Os fatos narrados indicariam que o ministro André Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas, como improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com quebra da imparcialidade judicial. — Trecho da decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Por enquanto, o cenário é de monitoramento detalhado dos relatórios da PF, que detalhariam como investigações sob a relatoria de Mendonça teriam sido instrumentalizadas para atingir adversários e favorecer grupos políticos específicos.

