A chegada da primavera no Brasil em setembro será marcada pela consolidação de um fenômeno climático de proporções históricas. Monitoramentos da agência norte-americana NOAA revelam que o Oceano Pacífico Central atingiu temperaturas 1,8°C superiores à média, o que já configura um El Niño de forte intensidade. Meteorologistas alertam que o aquecimento deve se intensificar, com mais de 90% de probabilidade de evoluir para um "Super El Niño" entre outubro e dezembro.

O status de "super" é atribuído quando o aquecimento das águas ultrapassa os 2°C, evento extremamente raro registrado apenas quatro vezes nos últimos 150 anos (a última vez em 2015-16). De acordo com Diogo Arsego, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), a tendência é que 2026 entre para esse seleto e preocupante grupo.

Os impactos no território nacional devem ser severos e divididos. Enquanto o Centro-Sul do país enfrentará um volume de chuvas consideravelmente acima da média, as regiões Norte e Nordeste devem sofrer com calor extremo e estiagem prolongada. Ana Ávila, pesquisadora da Unicamp, reforça que a correlação entre o fenômeno e as anomalias climáticas na primavera é cientificamente robusta e exige atenção.

Na região Sul, o sinal de alerta está ligado ao acumulado de precipitação. Estados como Santa Catarina e Paraná podem registrar até 200 milímetros de chuva em curtos intervalos, elevando drasticamente o risco de inundações. O estado de São Paulo e o Mato Grosso do Sul também devem vivenciar uma antecipação do período úmido, com temporais frequentes, especialmente em suas porções meridionais.

Em contrapartida, o cenário para o centro-norte brasileiro é de aridez. Especialistas preveem que a umidade ficará abaixo da normalidade climatológica em grande parte da Amazônia e do semiárido nordestino. Mesmo no Centro-Oeste, onde o retorno das chuvas é esperado para setembro, a irregularidade deve predominar em Goiás e Mato Grosso.

Além do regime de chuvas, o calor será um protagonista atípico. A previsão aponta termômetros acima da média histórica em quase todo o Brasil, com destaque para o Norte e Nordeste. No entanto, Arsego faz uma ressalva importante: a primeira quinzena de setembro pode ser interrompida por massas de ar frio pontuais, trazendo quedas bruscas de temperatura para o Sul e partes do Sudeste.

Sobre a possibilidade de novos vendavais e ciclones, como os que castigaram o Sul recentemente, o setor de meteorologia mantém cautela. Embora o El Niño favoreça a instabilidade, eventos severos de vento só podem ser previstos com precisão em curtíssimo prazo (nowcasting). Contudo, a combinação de frentes frias e águas aquecidas mantém o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul em constante vigilância para tempestades severas.

Esse valor já caracterizaria esse episódio como um El Niño de forte intensidade. Com o aquecimento contínuo, há mais de 90% de chance de que seja um El Niño de muito forte intensidade.
É cientificamente comprovado o efeito do El Niño no Brasil durante a primavera. Espera-se efeito forte.