Em um tom incisivo contra a atual postura da cúpula do Judiciário brasileiro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está 'sangrando'. A declaração ocorreu nesta quinta-feira, 17, durante agenda oficial no interior do estado, onde o governador criticou a aparente divisão da Corte em blocos que buscam a preservação mútua em detrimento da transparência.
Para Tarcísio, que busca a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, o tribunal atravessa uma crise institucional sem precedentes. O governador questionou abertamente a resistência da Corte em submeter seus membros ao escrutínio legal, especialmente após o adiamento de uma análise sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes.
O imbróglio no STF envolve a relação de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, investigado por suspeita de participação em fraudes financeiras de larga escala. Na última terça-feira, o julgamento que poderia abrir caminho para investigar o magistrado foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, após manobras regimentais conduzidas pelo ministro Gilmar Mendes.
Não dá para a sociedade imaginar ou admitir que o Supremo agora vai se dividir para se proteger, e é o que a gente está vendo. Dois blocos, dois times que buscam autoproteção.
O governador paulista enfatizou que nenhum cidadão, independentemente do cargo, deve estar imune à prestação de contas. Segundo ele, os magistrados parecem ter abandonado a postura sóbria esperada da função, criando um ambiente de insegurança jurídica que prejudica o país. Tarcísio fez um apelo ao presidente do tribunal, Edson Fachin, para que retome a estabilidade da instituição com equilíbrio.
Além do cenário nacional, o governador comentou a operação policial que mira o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Leite é investigado por supostas ligações com a facção criminosa PCC no setor de transportes públicos. Tarcísio distanciou-se de polêmicas, ressaltando que sua relação com o ex-vereador sempre foi estritamente institucional e voltada para projetos da capital, reforçando a autonomia das investigações policiais em curso no estado.
