O mercado financeiro global iniciou a última segunda-feira do mês (31) sob forte pressão geopolítica. Os índices futuros de Nova York registram perdas nas primeiras horas de negociação, refletindo o nervosismo dos investidores após novas ações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Enquanto as bolsas recuam, as cotações do petróleo dispararam, impulsionadas pelo receio de uma interrupção na oferta da commodity.
De acordo com Stephen Innes, sócio-gerente da SPI Asset Management, a intervenção norte-americana serve como um alerta contundente de que o conflito regional permanece volátil e com potencial de escalada. Os ataques de domingo (30) atingiram alvos na Ilha de Larak, ação que o Irã classificou como violação de sua soberania. Este foi o primeiro ataque direto contra posições iranianas admitido publicamente por Washington desde julho.
No setor energético, o impacto foi imediato. Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o barril de petróleo tipo Brent saltava 5,71%, negociado a US$ 91,04. Já o WTI registrava avanço de 3,44%, cotado a US$ 86,25. O movimento de alta é intensificado pela instabilidade na região, que incluiu ainda o relato dos Emirados Árabes Unidos sobre a neutralização de um drone de origem iraniana.
Em Wall Street, o clima é de cautela. O contrato futuro do Dow Jones operava em queda de 0,18%, acompanhado pelo S&P 500 (-0,19%) e pela Nasdaq (-0,14%). Além das tensões militares, o mercado aguarda com ansiedade a divulgação do payroll, o relatório oficial de empregos dos EUA, que será o principal termômetro econômico da semana para balizar as próximas decisões de política monetária.
No mercado de câmbio, o dólar apresenta um recuo frente a uma cesta de moedas fortes, com o índice DXY operando em queda de 0,15%. O movimento é visto como uma correção após a valorização registrada na sexta-feira, impulsionada pelo tom rigoroso adotado pelo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, durante o Simpósio de Jackson Hole.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também seguem em trajetória de queda técnica nesta manhã. O retorno da T-note de 10 anos recuava para 4,724%, enquanto o título de 2 anos, mais sensível aos juros, operava em 4,325%. A combinação de inflação energética e dados de emprego deve manter a volatilidade elevada nos próximos dias.

