O clima de instabilidade interna no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um novo patamar de tensão. Ministros da Corte iniciaram uma ofensiva de cobranças diretas ao vice-presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin, exigindo medidas concretas diante dos recentes desdobramentos que envolvem a Polícia Federal e decisões monocráticas que têm gerado ruído institucional.

O estopim para a movimentação mais recente foi a postura adotada pelo ministro Flávio Dino, que decidiu reverter o afastamento de delegados da Polícia Federal. A medida foi vista como uma interferência direta em processos administrativos e operacionais da corporação, acendendo o sinal de alerta entre os magistrados que defendem o respeito às competências institucionais e o fim de decisões isoladas que fragilizam a imagem do Judiciário.

Paralelamente, o ministro André Mendonça subiu o tom. Em conversas com Fachin, Mendonça cobrou uma postura mais incisiva da vice-presidência para organizar o fluxo de decisões e evitar que o Supremo continue a ser palco de reversões que geram insegurança jurídica. A ala mais conservadora e garantista da Corte tem expressado preocupação com a percepção pública de que o tribunal atua de forma errática.

Interlocutores do STF apontam que a pressão sobre Fachin reflete uma divisão profunda sobre como a Corte deve lidar com a autonomia das forças de segurança e até onde deve ir o poder de um único ministro sobre estruturas do Executivo. A crise expõe a necessidade de um freio em decisões que, na visão de críticos, extrapolam a função jurisdicional e entram na seara da gestão administrativa e política.

Enquanto Fachin tenta apaziguar os ânimos, a expectativa nos bastidores é de que o Plenário seja chamado a se manifestar com urgência para dar contornos definitivos a essas questões, evitando que a crise de autoridade interna se transforme em uma paralisia institucional ou em novos conflitos com o governo federal.