A Tesla, sob a liderança do empresário Elon Musk, sinaliza uma volta por cima em seu braço automotivo. Após enfrentar dois anos de números em retração, a fabricante de veículos elétricos superou as projeções de analistas de Wall Street, registrando um volume de entregas robusto no terceiro trimestre. O desempenho positivo foi impulsionado, sobretudo, por uma recuperação expressiva no mercado europeu, indicando que a empresa consegue manter sua competitividade mesmo com a redução de subsídios estatais nos Estados Unidos.
No período compreendido entre julho e setembro, a Tesla entregou 486.532 veículos, superando com folga a média de 456.896 unidades estimada pelo mercado. O resultado provocou uma reação imediata na bolsa de valores, com as ações da companhia sediada em Austin, no Texas, avançando mais de 5% nas primeiras horas de negociação. A empresa agora precisa de pouco mais de 311 mil entregas até o fim do ano para igualar o patamar de 2023, uma meta considerada conservadora dado o ritmo atual.
Analistas apontam que a tecnologia de direção autônoma, o chamado Full Self-Driving (FSD), tem se consolidado como um divisor de águas, atraindo consumidores que buscam inovação tecnológica superior à concorrência. > 'Os números expressivos colocam a Tesla no caminho certo para o crescimento das entregas no ano todo, após dois anos de quedas. Aponto o FSD como um diferencial que leva os consumidores a escolherem a Tesla em vez de outras montadoras', avaliou Seth Goldstein, analista sênior da Morningstar.
Embora o mercado acompanhe com entusiasmo os investimentos de Musk em áreas de fronteira, como inteligência artificial e robôs humanoides, a venda de automóveis permanece como o pilar de sustento da receita da companhia. A resiliência da Tesla é notável especialmente na Europa, onde as vendas cresceram cerca de 66% entre janeiro e agosto, superando tanto o desafio de competidores chineses subsidiados quanto o ceticismo de setores da mídia tradicional.
Além do crescimento nas vendas físicas, a Tesla avança em seu projeto de mobilidade autônoma. O serviço de robotáxis já opera sem supervisores humanos em estados americanos conhecidos pela liberdade econômica, como Texas e Flórida. A empresa, que recentemente integrou o Cybercab à sua frota, apresentará seu balanço financeiro completo do trimestre no dia 21 de outubro, sob alta expectativa de investidores que veem na marca uma força dominante do capitalismo tecnológico global.
