O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) a consolidação do que classificou como o "maior acordo petrolífero de todos os tempos". O pacto estabelece que os EUA assumirão o controle majoritário de 65 bilhões de barris de petróleo provenientes de reservas comprovadas em solo venezuelano.

A negociação, confirmada pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, envolveu uma força-tarefa composta pelo secretário de Estado, Marco Rubio, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, além de representantes do setor privado. Trump destacou em sua rede social, a Truth Social, que o domínio sobre os recursos foi obtido sem custos para os cofres públicos americanos.

Pelos termos do acordo, Washington deterá 55% de uma associação empresarial (joint venture) que atuará em conjunto com uma operadora privada já estabelecida na Venezuela. A concessão terá validade de 100 anos, abrangendo 17 campos estratégicos. Segundo Rodríguez, o projeto prevê investimentos superiores a US$ 100 bilhões, além de uma arrecadação tributária estimada em US$ 209 bilhões para o Estado venezuelano.

Trump argumentou que a medida dobrará a capacidade das reservas dos EUA, o que deve resultar em uma queda expressiva e duradoura nos preços dos combustíveis no mercado americano. Para a Venezuela, a expectativa de Rodríguez é que a parceria impulsione a infraestrutura nacional e gere empregos, auxiliando na reconstrução econômica do país.

As tratativas já vinham sendo monitoradas pela imprensa internacional. Informações prévias indicavam que o foco das operações seriam campos na Faixa do Orinoco e áreas tradicionais no Lago Maracaibo. Atualmente, a Venezuela detém o título de maior detentora de reservas de óleo bruto no planeta, com cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Opep.

O setor petrolífero venezuelano, que já produziu mais de 3 milhões de barris diários no passado, sofreu um colapso produtivo devido à falta de manutenção, sanções e problemas de gestão, operando hoje na casa de 1,25 milhão de barris por dia. A aproximação estratégica ocorre em um contexto de mudança política em Caracas, após o envio do ex-presidente Nicolás Maduro aos EUA em janeiro, abrindo caminho para que Washington busque estabilidade no fornecimento energético e oportunidades para empresas americanas no país vizinho.