O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom nesta quinta-feira (29) ao comentar o processo eleitoral brasileiro. Em declarações à imprensa antes de embarcar para a Carolina do Sul, o republicano não poupou críticas à condução da disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, classificando o episódio como uma 'desgraça'.

Segundo Trump, o próprio Lula teria solicitado, em conversas prévias, que a Casa Branca mantivesse neutralidade e não interferisse ou tomasse partido durante a campanha. O líder americano afirmou ter respeitado o pedido, mas demonstrou profunda insatisfação com o desenrolar dos fatos após o fechamento das urnas no último domingo (25).

Assisti à eleição e não tomei partido. Deixei acontecer. O atual presidente me pediu para não tomar partido. Não tomei partido. Mas, quando assisti ao que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça.

O questionamento de Trump ganha força diante das polêmicas que cercaram o segundo turno. O pleito foi marcado por uma decisão atípica do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação por duas horas após o horário previsto para o encerramento. A medida, somada à suspensão temporária da totalização dos votos, gerou um clima de incerteza que ecoou internacionalmente.

Além das questões processuais, o republicano apontou a reação negativa da economia brasileira como um termômetro da desconfiança gerada pelo resultado. No primeiro dia útil após a confirmação da vitória de Lula, o mercado financeiro reagiu com pânico: o Ibovespa desabou 13,88% e o dólar saltou 8,21%, atingindo o patamar de R$ 5,40.

Basta dar uma olhada no mercado. O mercado deles caiu pelo chão. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil.

Apesar das críticas severas e de ter mencionado que o pleito parecia 'fraudado' em declarações anteriores, Trump afirmou manter uma boa relação pessoal com Lula e confirmou que pretende conversar com o brasileiro em breve para tratar do tema. A data para esse contato, no entanto, ainda não foi definida. Interlocutores do Planalto relembram que os dois mandatários já haviam conversado por telefone em agosto, quando o cenário eleitoral foi um dos tópicos principais.