O cenário para o comércio brasileiro às vésperas das principais datas comemorativas do ano é de crescente apreensão. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou uma queda de 2,7% em outubro, atingindo a marca de 96,7 pontos. Este é o quarto recuo mensal consecutivo, empurrando o indicador para o seu nível mais baixo desde maio de 2021.

A deterioração da confiança reflete diretamente a insegurança do setor produtivo com os rumos da política econômica e a dificuldade de manter a competitividade diante da entrada massiva de produtos estrangeiros que não sofrem a mesma carga tributária imposta ao empreendedor nacional. De acordo com a CNC, a percepção negativa sobre o momento atual dos negócios foi o principal motor para a queda do índice.

Os dados detalhados revelam um pessimismo generalizado. Na comparação com setembro, as expectativas recuaram 1,3%, a intenção de investir caiu 2,4% e a avaliação das condições atuais despencou 5,5%. O subitem que analisa o cenário econômico atual é particularmente alarmante: 78,2% dos empresários ouvidos afirmam que a economia piorou, a maior proporção de respostas negativas em mais de três anos.

Essa retração atinge também o mercado de trabalho e o planejamento logístico. A disposição para contratar novos funcionários caiu 2,8% em outubro, enquanto a percepção sobre a gestão de estoques recuou 1,4%. Os setores mais afetados pelo desânimo são os de bens semiduráveis, como vestuário e calçados (-5,4%), seguidos por supermercados e farmácias (-2,7%) e o segmento de eletrônicos e eletrodomésticos (-2,8%).

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o momento é de cautela excessiva justamente quando o setor deveria estar expandindo investimentos para o Natal e a Black Friday. O economista-chefe da entidade, Fábio Bentes, aponta que o varejo sofre o impacto duplo de uma economia em desaceleração e de um consumidor sobrecarregado por dívidas, somado à concorrência desleal das importações diretas que gozam de vantagens fiscais inexistentes para quem produz e vende no Brasil.