O segundo dia da visita oficial do líder chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos foi marcado por um tom de cautela e diálogo estratégico na Casa Branca. Em reuniões com o presidente Donald Trump nesta quinta-feira (24), o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e a busca por pontos de convergência entre as duas maiores economias do globo dominaram a pauta, embora divergências profundas em temas como comércio e segurança internacional permaneçam no horizonte.

O encontro, que incluiu honrarias militares e um jantar de Estado, serviu para que ambos os líderes reforçassem a necessidade de uma convivência estável, respeitando as diferenças fundamentais de seus sistemas políticos. Xi Jinping defendeu uma 'nova orientação estratégica', enquanto Trump destacou a forte relação pessoal estabelecida, observando que, apesar das estruturas distintas de governo, os laços entre os povos e a sintonia entre os mandatários atravessam um momento inédito de proximidade.

A inteligência artificial surgiu como um dos pilares da discussão técnica. Com a presença de gigantes do Vale do Silício no jantar — como Tim Cook (Apple), Jeff Bezos (Amazon) e Mark Zuckerberg (Meta) —, Xi reconheceu a liderança sino-americana no setor. O líder chinês pregou que a tecnologia deve permanecer sob controle humano e sugeriu que a cooperação pode mitigar riscos de desconfiança mútua no uso militar e civil da IA.

No campo econômico e diplomático, o tom foi de pragmatismo. Xi Jinping sugeriu que a agenda 'Make America Great Again' (MAGA) de Trump e o projeto de 'rejuvenescimento nacional' da China não são excludentes, podendo coexistir no cenário global. Contudo, pontos de fricção como o status de Taiwan e o conflito no Irã continuam exigindo costuras delicadas. Enquanto Xi cobrou oposição americana à independência da ilha, o governo Trump mantém a postura de utilizar pacotes de defesa como elemento de pressão nas negociações.

Para simbolizar o espírito americano, Trump presenteou Xi com uma estátua de uma águia-de-cabeça-branca, símbolo máximo da soberania e liberdade dos Estados Unidos. O gesto encerrou uma jornada de discursos que resgataram desde a cooperação na Segunda Guerra Mundial até a histórica abertura de Richard Nixon na década de 70, em uma tentativa de Pequim de suavizar a imagem da China comunista perante o governo conservador americano.